FDR

Let me warn you and let me warn the Nation against the smooth evasion which says, “Of course we believe all these things; we believe in social security; we believe in work for the unemployed; we believe in saving homes. Cross our hearts and hope to die, we believe in all these things; but we do not like the way the present Administration is doing them. Just turn them over to us. We will do all of them- we will do more of them we will do them better; and, most important of all, the doing of them will not cost anybody anything.”

– Franklin Delano Roosevelt

Mais no link.

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Apocalipse Now

Economia fundada na exportação de bens primários, mercado financeiro internacional volátil, clima global em colapso; conflitos políticos em todos os continentes; guerras civis, terror, genocídio. Podemos concluir, a partir das premissas, que o Brasil vai quebrar, o governo vai sumir, e a ditadura vai voltar ou pior?

para Ricardo Pozzo

História de Lucrécia

Públio Ovídio Naso
Fastos
Tradução de Antônio Feliciano de Castilho

Tomo II

Cercada pelo exército romano,
um sítio pertinaz sofria Ardeia.
Enquanto a dura guerra está pendente,
enquanto aventurar feroz combate
teme a prudência; os chefes e os soldados
folgam nos arraiais em ócio ledo.

Nisto o filho do Rei, Tarquínio o moço,
a esplêndido festim convida os sócios;
e reinando a alegria assim lhes fala:
“Agora, que de Ardeia o vagaroso
assédio nos detém, não nos permite
as armas conduzir aos pátrios deuses;
dos toros conjugais a fé mantendo,
as esposas gentis, que suspiramos,
suspirarão por nós? serão quais somos?”

Já cada qual sem termo a sua exalta;
aceso pelo amor, cresce o debate;
dos brindes no licor fogoso e puro
a mente, o coração, e a língua, fervem.

Mas eis que dentre os mais surgindo aquele
a quem de alto apelido honrou Colácia,
“As palavras são vãs; creia-se em coisas:
a noite nos sobeja; esporeemos
os robustos cavalos; eia! a Roma!”

O dito agrada; enfreiam-se os ginetes;
os sôfregos mancebos partem, voam.

Vão da estância real primeiro às portas,
onde guarda nenhum velando encontram.
Entram; colhem de súbito engolfada
em festivo prazer e em rubro néctar,
as tranças com mil flores desparzidas,
a que ao filho em consórcio o Rei ligara.

Prontos caminham logo a ver Lucrécia.

Alvejavam da cândida matrona
no fuso luzidio as mãos de neve;
no estrado aos pés do leito as lãs se viam
nos curiosos cestos coguladas;
em torno à luz solicitadas as servas
a noturna tarefa promoviam.
Lucrécia em tom macio, em voz mimosa,
destarte lhes dizia, as incitava:
“É para Colatino; eia apressai-vos;
cumpre mandar em breve ao meu consorte
isto em que a nossa indústria exercitamos.
Vós, que tanto indagais e ouvis, soubestes
quanto ainda se crê que dure a guerra?
Dos fortes ao poder te opões sem fruto;
vencida cairás, Ardéia iníqua,
que de nossos esposos nos separas.
Tornem, tornem, ó Ceus! Mas ai? Que ideia!
o meu é destemido, é temerário,
tem gênio de arrojar-se ao fogo, ao ferro!
foge-me a luz, o alento, esfrio, e morro
quando entre os inimigos o afiguro.”

Nisto o pranto amoroso a voz lhe corta;
cai-lhe o fio da mão; e o lindo gesto
sobre o mole regaço inclina a triste;
dobram-lhe a graça as lágrimas pudicas,
e mostra um coração igual ao rosto.

Eis o esposo aparece; e “Não receies;
aqui me tens” – lhe diz; ela revive,
ela os braços lhe lança, e longo espaço
pende do colo amado o doce peso.

Em tanto de amor cego o régio moço
arde, morre, e lhe atrai, lhe enleva os olhos
a forma, a nívea cor, e a loura trança,
e o grave adorno, límpido, e sem arte;
a fala o prende, as expressões o encantam,
e o que à vil sedução não é sujeito.

Quanto menos esperas, mais desejas,
mais te afogueias, sequioso amante.

Cantará o núncio da risonha Aurora,
e aos fortes arraiais os sócios volvem.
Atônito em paixão Tarquínio ferve,
gozando na revolta fantasia
a bela imagem de Lucrécia ausente;
e ali tudo o que viu mais lindo observa.
“Assim – diz entre si – a achei sentada;
era o seu traje assim; e a mão suave
o longo tênue fio assim torcia.
destarte lhe caíam no alvo colo
áureas madeixas, ao desdém lançadas;
tinha este modo; estas palavras disse;
este o semblante, a graça, a cor, e a boca.”

Como se vê no Mar depois que os Ventos,
as asas sacudindo, o flagelaram,
que, já puros os Céus, inda esbraveja
com a ríspida impressão do horrendo assalto;
tal, posto que tão longe a bela estava,
o incêndio que ateou no amante ardia.
Penando, a de paixão desesperado,
projeta macular com força e dolo
o tálamo sagrado, o casto objeto.

“O efeito é duvidoso, – eis diz o insano –
porém não se fraqueje; ousemos tudo;
audazes corações proteje a sorte;
foi com o ousar que me apossei dos Gábios.”
Cala-se, e já perdura ao lado a espada;
já de um rápido bruto oprime as costas.

Corre; está de Colácia à férrea porta,
quando o Sol já mergulha o carro de ouro.
O inimigo, como hóspede, nos lares
do ausente Colatino é logo aceito,
(que o vínculo do sangue os dois prendia);
a dama com primor o acolhe e trata;
ai, que enganada está! Manda que aprontem,
sem suspeita do crime, a lauta mesa.

Contente do alimento, o sono exiges,
ò lassa Natureza.

Era alta noite;
na estância lume algum não cintilava;
levanta-se o traidor, um ferro impunha,
vai manso e manso ao tálamo pudico;
mal que o toca: “Um punhal comigo trago,
Lucrécia – ele lhe diz – eu sou Tarquínio,
sou o filho do Rei.” Nada responde,
nem pode responder Lucrécia absorta;
de assombro, de terror jaz fria e muda;
mas, como a lamentável cordeirinha,
que no tosco redil desamparada
entre as garras se vê do lobo infesto,
ante o fero amador Lucrécia teme.

Que fará? contender? lutar por ele?
Ela é débil mulher, será vencida.
Gritará? Tem na destra um ferro, o monstro.
Fugirá? Dura mão lhe aperta o peito,
não manchado até ali de toque infame.

Insta com rogos o inimigo amante,
com prêmios, e ameaças; mas seus rogos,
seus prêmios, e ameaças… nada alcançam.

“Não cedes, inumana, a meus transportes?
pois – o bárbaro diz – hei-de arrancar-te
com este ferro a vida, apregoando
que em adultério vil com um torpe escravo
te colhi; ao teu lado o porei morto,
e horrenda ficará tua memória!”

A matrona infeliz, temendo a fama,
à fúria sucumbiu do fementido.

Indigno vencedor, para que exultas?
Será tua ruína essa vitória.
Ai! quanto ao sólio teu custa uma noite!

Dissipando-se as trevas, aparece
Lucrécia desgrenhada, e qual costuma
ir lacrimosa mãe do filho à pira.
O consorte fiel e o pai longevo
chama do campo; os dois acodem logo.
Vêem-lhe o luto, e do luto a causa inquirem.
Perguntam-lhe que mal, que dor a anseia,
e as honras funerais a quem consagra.

Ela fica em silêncio um longo espaço,
e no véu lutuoso esconde a face,
soltas em fio as lágrimas formosas.

Consolando-a com a voz, e com os afagos,
daqui lhe roga o pai, dali o esposo
que fale enfim, que exprima o que padece;
e choram, tremem com pavor incerto.

Três vezes começou, parou três vezes;
à quarta se atreveu a declarar-se,
mas sem a vista erguer: “Tarquínio a isto
me obrigará também? – profere a triste –
eu mesma hei de narrar a injúria minha?
eu mesma, desditosa, hei de afrontar-me?”

Conta o que pode… cala o mais… e chora;
e o pejo lhe afogueia a face honesta.

O pai e esposo o crime involuntário
perdoam. “Perdoais? eu não” – diz ela
e aguçado punhal, que traz oculto,
com a melindrosa mão no seio imbebe.
Cai aos paternos pés ensanguentada,
e olhando para si, já moribunda,
para ver se o pudor na queda ofende;
este o cuidado da infeliz morrendo.

Eis justo ao corpo amado o pai, o esposo,
deslembrados da glória e do decoro,
jazem carpindo seu comum desastre.

Bruto, que a cena infausta presencia,
e o nome com o espírito desmente,
do peito semivivo arranca o ferro;
e ali na mão com ele, que destila
da vítima formosa o puro sangue,
num ar ameaçador tais vozes solta
do afoito coração: “Por este honrado,
por este varonil egrégio sangue,
e por teus Manes que serão meus Numes,
juro ao feroz Tarquínio um ódio eterno;
juro de o proscrever, e à prole infame;
seus crimes infernais serão punidos;
tens, ó virtude, assaz dissimulado.”

Ao som destes impávidos protestos,
os olhos, já sem luz, ergue Lucrécia:
meneando a cabeça, aprova e morre.

Sobre funéreo leito se coloca
o gentil corpo da heroína excelsa.
O espetáculo triste expõe-se a todos,
e deve a todos lágrimas e inveja.
Vai patente a ferida. O denodado
Bruto, vociferando, incita o povo,
e do mancebo audaz lhe narra o crime.

Com a estirpe cruel Tarquínio foge.

Foi aquele o famoso último dia
em que o duro opressor deu leis a Roma.

E você ainda diz que não tem tempo livre

Bill Taylor passa de dois a cinco minutos por dia rabiscando no quadro branco do seu local de trabalho. Ele chama essa forma de arte de cubiculismo:

E você aí inventando desculpas… mais aqui e aqui.

Fazer o seu trabalho

Para além do bate-boca imbecil e sectário, alguns intelectuais mostram, realmente, o seu serviço. É o caso de Vladimir Safatle na sua coluna de hoje, na Folha:

Alguns podem julgar despropositado o uso de expressões como “compositor fundamental para a história da música”, como se toda tentativa de descrever a racionalidade do desenvolvimento histórico da linguagem musical fosse uma maneira totalitária de impor um cânone tão útil quanto qualquer lista de compras.

Dificilmente, porém, acharemos alguém capaz de afirmar que, por exemplo, Glinka ou Elgar são tão fundamentais para o desenvolvimento da música quanto Wagner ou Debussy.

Se não se pode falar qualquer coisa sobre a história da música, é porque a avaliação do desenvolvimento formal das obras e de sua força crítica em relação às limitações de convenções que se naturalizaram não é simplesmente arbitrária. Ela é fruto da lógica imanente à linguagem musical e suas figuras.

Neste sentido, pode-se dizer que a música brasileira talvez seja vítima da incapacidade em produzir rupturas formais inovadoras por não saber como superar os limites de uma ideologia cultural que vê, na música, a expressão de uma sensibilidade marcada pela proximidade privilegiada com o originário

Safatle luta para se apropriar de critérios que, sem aderir ao racionalismo banal, pautem uma crítica profunda da arte, que não a considere como fenônemo natural (que não é) nem como dado isolado do contexto social (que, porém, não a define):

Não deixa de ser interessante notar que, ao falarmos de música, tudo se passa como se fôssemos obrigados a descrever as limitações de autocompreensão da própria sociedade brasileira, como se a produção cultural andasse no descompasso da vida social.

E como se estivéssemos à espera do momento no qual, ao contrário, nossa música forneça a imagem avançada daquilo que a sociedade teima em não querer pensar.

O texto completo pode ser encontrado no blog do Sergyo Vitro.

Nai Talim

Nai Talim: Uma das frases de ordem do movimento de libertação da Índia promovido por Mahatma Gandhi. A partir do princípio da indiferença entre trabalho e conhecimento, Gandhi desenvolveu um projeto de desenvolvimento para a sociedade indiana que visava a universalização da emancipação intelectual e laboral. Traduz-se diretamente em “educação para todos”.