E você ainda diz que não tem tempo livre

Bill Taylor passa de dois a cinco minutos por dia rabiscando no quadro branco do seu local de trabalho. Ele chama essa forma de arte de cubiculismo:

E você aí inventando desculpas… mais aqui e aqui.

Fazer o seu trabalho

Para além do bate-boca imbecil e sectário, alguns intelectuais mostram, realmente, o seu serviço. É o caso de Vladimir Safatle na sua coluna de hoje, na Folha:

Alguns podem julgar despropositado o uso de expressões como “compositor fundamental para a história da música”, como se toda tentativa de descrever a racionalidade do desenvolvimento histórico da linguagem musical fosse uma maneira totalitária de impor um cânone tão útil quanto qualquer lista de compras.

Dificilmente, porém, acharemos alguém capaz de afirmar que, por exemplo, Glinka ou Elgar são tão fundamentais para o desenvolvimento da música quanto Wagner ou Debussy.

Se não se pode falar qualquer coisa sobre a história da música, é porque a avaliação do desenvolvimento formal das obras e de sua força crítica em relação às limitações de convenções que se naturalizaram não é simplesmente arbitrária. Ela é fruto da lógica imanente à linguagem musical e suas figuras.

Neste sentido, pode-se dizer que a música brasileira talvez seja vítima da incapacidade em produzir rupturas formais inovadoras por não saber como superar os limites de uma ideologia cultural que vê, na música, a expressão de uma sensibilidade marcada pela proximidade privilegiada com o originário

Safatle luta para se apropriar de critérios que, sem aderir ao racionalismo banal, pautem uma crítica profunda da arte, que não a considere como fenônemo natural (que não é) nem como dado isolado do contexto social (que, porém, não a define):

Não deixa de ser interessante notar que, ao falarmos de música, tudo se passa como se fôssemos obrigados a descrever as limitações de autocompreensão da própria sociedade brasileira, como se a produção cultural andasse no descompasso da vida social.

E como se estivéssemos à espera do momento no qual, ao contrário, nossa música forneça a imagem avançada daquilo que a sociedade teima em não querer pensar.

O texto completo pode ser encontrado no blog do Sergyo Vitro.

Nai Talim

Nai Talim: Uma das frases de ordem do movimento de libertação da Índia promovido por Mahatma Gandhi. A partir do princípio da indiferença entre trabalho e conhecimento, Gandhi desenvolveu um projeto de desenvolvimento para a sociedade indiana que visava a universalização da emancipação intelectual e laboral. Traduz-se diretamente em “educação para todos”.

Bilhete do dia

Note Of Note of the Day

Sr. Presidente:

Mais de 4000 manifestantes pacíficos
foram presos
enquanto banqueiros continuam
a destruir a economia americana (impunemente).
O sr. precisa impedir esse ataque
aos nossos direitos de livre-expressão.
Seu silêncio passa a impressão
de que a brutalidade policial é ac[eitável]
Os bancos foram afiançados.
Nós fomos vendidos.

On why Iran wants nuclear weapons

There’s only two ways now the U.S. government can resort to detour Iran from acquiring the capacity to make nukes: a comprehensive deal with NATO and Israel,  with a nuclear weapons-free zone and the demilitarization of the frontier, or a prehemptive attack on the molds proposed by the Israeli government.

The iranian government will not aggree with less than this compromise of non-aggression. Beyond all the judgement we can make about Ahmadinejad and the Ayatollahs, that seems to me to be a simple fact. Hence, what’s the reason for the preacher tone from the talking heads about the human rights violations of the Ayatollah’s regime, that daily overwhelms the criticism of Saudi Arabia, Colombia and other allies on the same matter? Could it be a strategy to justify invasion?

The weapons free zone would be very hard to obtain, though. There’s Pakistan, India and, of course, Israel to deal with. The Israeli government is reasoning correctly (in their own malevolent way), to talk publicly about a prehemptive attack on the iranian nuclear facilities that would avoid it from gaining the capacity to build a bomb: there’s no way to detour Iran otherwise, except giving up on their own nuclear weapons and guaranteeing a large aggreement between Iran and NATO.

Erdogan, from Turkey, and Silva, from Brazil, succeeded on closing a deal with Ahmadinejad in 2010 about the enrichment of uranium on the exact proposition sketched by the U.S. at the U.N. and stamped by the IAEA. For this reason, Erdogan was listed second on the now infamous 2010 “Person of the Year” election by People magazine (despite winning the reader’s choice, Wikileak’s Julian Assange was substituted by Zuckemberg, who placed tenth). The deal was later rejected by Clinton, who pressed the international community for sanctions.

But what’s the moral benefit on attacking a country that, before the evidence of its necessity of closing a peace treaty, is eager to close it? Or are we supposing that Iran wants confrontation with the U.S.?

Thereupon, no position seems to be rational to defend in the West but the one that demands from the U.S. government to a compromise with iranian demands of demilitarization of the frontier. The other option can lead to the creation of another inward government in the world in the possession a nuclear weapon, something like a giant North Korea; or what would be unpredictably worse, the Middle East nuclear conflict.

Este artigo saiu direto em inglês, não me perguntem como.

O Sol também se levanta

Encontrei uma cópia desse pequeno clássico no Joaquim.
Está assinado:

Auriphebo B. Simões
Sao Paulo
October
1942

É a segunda edição da Ramdom House, com o prefácio
escrito em 1930 por H. S. Canby.
A sensação é tão cafona, tão obcenamente barata.
Como Gil, de Woody Allen?

Gênio

erlich21

Erlich, no diário El País.

Distante

Ó diário perdido, como fui esquecer-me de ti! Debaixo de um monte de livros, de páginas offset cobertas de poeira! Será assim o como lidarei contigo… hoje abandonado, amanhã, inútil!

Carta a um amigo campineiro

Querido amigo, é mais tarde do que supões.

Quando nos encontramos hoje e você me perguntou sobre arte eu não sabia mesmo o que dizer, afinal, não sou nenhum Rilke. Eu mesmo estou começando e, se não fizer nada legal logo logo vou virar uma pária por aqui. É, camarada, porque eu circulo entre os grandes e estou montado nos ombros. Todos saem dizendo por aí que eu sou escritor mas não é mesmo verdade. Já imaginou, cara? É verdade que eu li uns livros sim e que falo com fluência, mas ser escritor para mim é uma meta, não um fato. Mais: não tenho nada nas mãos para publicar agora… um livro, talvez, editado em vida ou na morte, seria mesmo para mim o suficiente. Se você tivesse um livro meu nas mãos, cara, faria o quê com esse livro? Por que o leria? Para quê ler o que um cara como eu escreve?

Mas voltando ao que você me perguntava… sim, é necessário ter ambição, sim, é necessário ter gênio. Mas isso são valores morais, mais do que valores artísticos; dependem do caráter, e o que alguém tem mesmo que ter para ser um escritor é um belo de um caráter. E o que dizer. Não vou, não posso… não quero escrever pra repetir ninguém. Não quero que me encontrem em nada, em ninguém… E não quero que pense como eu, porque isso de influência são idéias negativas, que desmontam ao invés de montar. Arte é um jogo de montar, cara. O duro é saber bem encaixar o que com o qual.

Por enquanto posso te dizer pra nunca esquecer de pegar uma flor no chão. Porque se a vida é curta a primavera é mais curta ainda, desaparece como um vento encanado. Pode parecer incômoda, vulgar até quando a vivemos, mas a lembrança que traz uma memória jovial pode aquecer o teu coração no inverno. Eu me lembro sempre de uma flor que colhi, de um café que tomei, de um papo que tive com um amigo por aí. A vida é feita disso. E nunca use o seu tempo para agredir ou difamar alguém, sobretudo se ele fizer o que você faz e for bom. É impossível comparar-se com alguém, amigo, você pode se comparar consigo mesmo no máximo.

Mas escreva um livro e, se você não for bom, abra um blog.

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